eu prendi a respiração e esperei a dor ir embora,
tal qual uma criança incha os pulmões e fecha os olhos
para que o monstro debaixo da cama vá-se embora rápido.
tudo o que sobrou de ontem foi essa febre
esse delírio que vai e vem feito um barco à deriva entre tempestades.
porque as pessoas consertam com pílulas sua solidão?
e quando não for mais suficiente?
meu corpo já não se aguenta em pé. inflama, dói.
e parece mesmo um paradoxo sentir calafrio nos ossos.
a pele coça, as unhas ferem. os olhos ardem, a cabeça dói.
na porção de sono e lágrimas, do lado frontal da tristeza.
quem germinou tudo isso aqui dentro
tão profundo, tão íntimo, tão meu?