sexta-feira, 22 de março de 2013

pertencer

diz pra mim
o que cabe 
no teu cheiro,
teu chamego, 
teu sossego
que eu morro 
de receio
de não caber 
em ti.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Arnaldiando

inflamo a
chama que
se esparrama
na cama de
quem amo
    
e sugo o
seu sexo
sem pressa
sentindo o sal
do seu amor
por mim

sábado, 1 de setembro de 2012

dedo na ferida

um brinde à ausência,
a todo sentimento de falta,
toda essa ansiedade semanal
fracassada de reviver o passado
a todos as esmolas de amizade que
se concede a quem já teve tudo
a toda a falta de poesia que sobra 
de qualquer luto
a essas crises ébrias
cheias de sobriedade
a esse sentimento de espera
da morte da saudade
[já que eu não a mato] 
Arte em: In Maginary

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

formigas debaixo da pele

eu prendi a respiração e esperei a dor ir embora,
tal qual uma criança incha os pulmões e fecha os olhos
para que o monstro debaixo da cama vá-se embora rápido.
tudo o que sobrou de ontem foi essa febre
esse delírio que vai e vem feito um barco à deriva entre tempestades.
porque as pessoas consertam com pílulas sua solidão?
e quando não for mais suficiente?
meu corpo já não se aguenta em pé. inflama, dói.
e parece mesmo um paradoxo sentir calafrio nos ossos.
a pele coça, as unhas ferem. os olhos ardem, a cabeça dói.
na porção de sono e lágrimas, do lado frontal da tristeza.
quem germinou tudo isso aqui dentro
tão profundo, tão íntimo, tão meu?

domingo, 15 de julho de 2012

Breakfast


segunda tomou algum café quente e preto com gosto de remela moderna
pela pressa e preguiça matinal de ter de se arrastar até seu emprego medíocre;
terça engoliu alguma pasta derretida feita de cereal afogado em leite com nata
pela falta de pesadelos melhores pra contar na terapia;
quarta mastigou algumas torradas porosas besuntadas com bile morna
pelo mofo da vida grudando na parte interna da bochecha;
quinta bebericou algum suco ralo e azedo que sobrou do almoço de ontem
pela sensação de algo melhor que não a insignificância desse dia da semana;
sexta rasgou algum pão adormecido babado e roído da farra dos inquilinos roedores
pela obrigação de digerir alguma celebração que fosse no início do fim de semana;
sábado mordiscou alguma fruta fria com gosto de bituca de cigarro
pelo pijama manchado de sangue de gengiva machucada pela escovação;
domingo dividiu um aborto com o cachorro no café da manhã 
pelo dissabor da expectativa frustrada de um dia de alegria.

Arte por: girltripped
p.s.:  Imagem melhor visualizada se ouvindo Beatles.